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SEMANA DOS AVÓS

Na semana de 20 a 24 de maio, vai realizar-se a “Semana dos Avós” na EB1JI de Vila Nova de Caparica.

 
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Publicado por em Maio 17, 2013 em Atividades

 

“Conto eu… respondes tu!” – 5º Dia

A Gota com sede

de António Torrado

Era uma vez uma gota cheia de sede. Não faz sentido, mas acreditem assim era.

Esta gota de água queria matar a sede a alguém que tivesse muita sede. Desejo grande, desejo único que a arredondava mais e mais e a enchia de fé com um coração palpitante. Mas não havia meio.

Cavalgando uma nuvem, correu o deserto, à cata de um viajante sequioso. Não encontrou nenhum.

Depois, percorreu, por cima dos mares, as ondas revoltas dos oceanos. Talvez um náufrago de boca salgada precisasse dela e da sua ajuda doce. Assim que o visse, ela caía lá do alto e poisava nos lábios do náufrago como uma última bênção. Mas não encontrou nenhum.

Queria ser útil. Não conseguia.

Até que a nuvem em que vinha, de carregada que estava, não podendo mais, se desfez em chuva. Ela precipitou-se para a terra, no meio das outras.

– Vou lavar as pedras da calçada – dizia uma.

– Vou mergulhar até à raiz de uma planta – dizia outra.

– Vou acrescentar água ao rio quase seco. Vou ajudar uma azenha a trabalhar. Vou alimentar uma barragem. Vou empurrar um barco encalhado.

Isto diziam várias gotas, todas generosas, enquanto caíam.

Se cada uma cumpriu ou não o seu destino, não sabemos, porque nesta história só nos ocupamos da gota com sede de matar sede.

Caiu na copa de uma árvore e foi escorrendo de ramo em ramo, pling, pling, pling, como uma lágrima feliz.

Até que chegou a uma folha, mesmo por cima de um ninho. Caio? Não caio? Deixou-se ficar, a ver no que dava.

A casca de um ovo estalou e um passarinho rompeu, aflito, lá de dentro, de bico aberto, num grito mudo.

– Caio – decidiu a gota.

Soltou-se da folha para a garganta aberta do passarinho que a engoliu e, logo em seguida, piou, agradecido.

Foi o passarinho, tempos depois, que me contou esta história.

In «Trinta por uma linha»

Responde tu!

9 – Quando a Gota protagonista da história deixou a nuvem, onde caiu?

10 – A quem, finalmente, a Gota matou a sede?

 
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Publicado por em Março 15, 2013 em Atividades, Concursos, Histórias, Leituras

 

“Conto eu… respondes tu!” – 4º Dia

A menina e o burro

de António Torrado

Era uma vez uma menina que conhecia o campo, mas de longe. Vira-o, uma vez, de passagem, da janela de um automóvel. Vira-o, mais vezes, de corrida, nos ecrãs da televisão. E vira-o, outras vezes, disfarçado de paisagem, nas folhas das revistas e nas tampas das caixas de chocolate. Esta menina, afinal, não conhecia o campo a sério.

Por isso, da primeira vez que foi ao campo, da primeira vez que pisou o chão rugoso do campo e respirou o ar vivo do campo e os cheiros todos do campo, a menina ficou, há que confessar, a menina ficou um tanto atordoada.

Tropeçou numa pedra, comichou-lhe o nariz e picou-se nas urtigas. Mas, apesar destes contratempos, a menina, verdade se diga, não desgostou da experiência.

É que havia muita coisa para ver. Havia folhas que estalavam, quando ela as pisava. Havia carreiros de formigas, flores sem nome, canaviais bulindo, árvores ramalhando e, não muito além do caminho por onde a menina seguia, um burrito de orelhas espantadas. Tinha o pêlo cinzento e não era de peluche.

A menina, que já ouvira histórias de príncipes encantados por fadas más, pensou: “E se é um príncipe transformado em burro?”

Podia ser. Tinha os olhos pestanudos e olhava para a menina cheio de curiosidade.

“Eu dou-lhe um beijinho, desfaz-se o encanto e ele transforma-se em príncipe”, pensou a menina. “Até pode ser que, mais tarde, queira casar-se comigo.”

A menina, que já se via princesa, aproximou-se do burro, para concretizar o que tinha pensado. Mas o burro é que não estava pelos ajustes. Quando viu a menina mais perto, fugiu a galope.

A menina correu atrás dele:

– Não te faço mal. É só um beijinho – prometia ela.

Mas o burro não queria saber. Era um burro novo, sem nenhuma prática social, e aquela criaturinha enervava-o.

Naturalmente não era um príncipe encantado. Devia ser só um burro.

Também nos parece que sim.

 In «Trinta por uma linha»

Responde tu!

7 – O que é que a menina pensou quando encontrou o burrito?

8 – O que é que a menia queria fazer ao burro?

 
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Publicado por em Março 14, 2013 em Atividades, Concursos, Histórias, Leituras

 

“Conto eu… respondes tu!” – 3º Dia

Trocas e baldrocas

de António Torrado

O Joca perdeu o apara-lápis. Perder não perdeu. Trocou.

Depois de ter trocado o apara-lápis por uma borracha novinha, por estrear, é que achou que tinha perdido com a troca.

Quis desfazer o negócio junto do Rodrigo que lhe tinha ficado com o apara-lápis jeitoso, em forma de bota de esquiador.

– Dá-me outra vez o meu apara-lápis e fica com a tua borracha – disse ele ao Rodrigo.

– Já não o tenho – respondeu o Rodrigo. – Troquei-o por este caderninho com bandeiras na capa. Quem tem agora o teu apara-lápis é a Lurdes.

O Joca foi ter com a Lurdes que estava a saltar à corda:

– Queres esta borracha nova pelo apara-lápis que era do Rodrigo?

– Sete… oito… nove… dez… – respondeu-lhe a Lurdes, sem deixar de saltar à corda.

– O apara-lápis já foi meu e queria que voltasse a ser…

– Onze… doze… treze… catorze… quinze… – respondeu-lhe a Lurdes sem deixar de saltar.

– Trocas ou não trocas?

– Dezasseis… dezassete… dezoito… dezanove… vinte.

E parou. Quase sem fôlego, a Lurdes respondeu ao Joca:

– Troquei o apara-lápis por esta corda. Quem o tem agora é a Fátima.

O Joca foi ter com a Fátima.

– Já não tenho. Troquei-o por um lugar, na aula, ao lado da minha amiga Filomena.

Mas quem estava sentado ao lado da Filomena era o Rodrigo, lembrou-se o Joca. Foi outra vez ter com o Rodrigo.

– Ainda tens o apara-lápis? – perguntou-lhe.

– Ia trocá-lo com o Zeca por um carrinho.

– Mas eu dava-te outra vez a borracha – apressou-se a dizer o Joca.

Então o Joca, com o coração muito apertado, foi buscar ao fundo da algibeira das calças um carro novo que trouxera de casa pela primeira vez.

– Queres este? Perguntou o Joca ao Rodrigo.

Ele examinou-o cuidadosamente, experimentou-o no lajedo do recreio e concordou. Voltara o apara-lápis às mãos do Joca. Que alívio!

Mas virando as costas ao Rodrigo, o Joca começou a ter saudades do seu carrinho que corria tão bem pelo corredor fora. E se voltasse atrás com o negócio? Volto não volto…

Volta ele, não voltamos nós a contar, que estas histórias de trocas e baldrocas são muito cansativas.

In «Trinta por uma linha»

Responde tu!

5 – Qual foi o objeto que o Joca trocou, com o Rodigo, pelo seu apara-lápis?

6 – Onde é que o Rodrigo experimentou o carro novo que trocou, novamente, pelo apara-lápis?

 
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Publicado por em Março 13, 2013 em Atividades, Concursos, Histórias, Leituras

 

“Conto eu… respondes tu!” – 2º Dia

Carloto, o adivinho

de António Torrado

O meu amigo Carloto, antes de sair de casa para dar uma voltinha de bicicleta, avisou a mãe:

– Hoje vou cair da bicicleta e esfolar um joelho.

A mãe foi logo buscar a caixa dos primeiros socorros, para estar tudo à mão, quando o Carloto regressasse da queda. Não seria acidente grave. Nem, muito menos, o primeiro.

É que, de facto, o Carloto adivinhava coisas, mas só coisas que o tivessem como protagonista, isto é, como centro da referida coisa, não sei se me faço entender… Que coisa!

Às vezes, dizia à mãe:

– Hoje, vou chegar todo encharcado a casa.

A mãe ainda acudia:

– Então, leva um chapéu-de-chuva, filho.

Ele explicava:

– Se levo chapéu-de-chuva, já não chove e a chuva também faz falta…

Coisa complicada.

Só adivinhava o pior, dentro do relativo, que não era assim tão mau como isso.

– Hoje vou perder o boné, na escola.

– Hoje vou rasgar as calças, numas moitas.

– Hoje vou partir os óculos, no futebol.

Não valia a pena prevenir. Estava previsto e acontecia, i-ne-vi-ta-vel-men-te. O Carloto, conformado com o seu pequeno poder de adivinhação, resignava-se a que seria assim pela vida fora. A mãe dele também encolhia os ombros, sem se inquietar muito, e suspirava:

– O que eu quero é que o meu filho nunca adivinhe grandes desastres.

Mas desta vez, alarmou-se. Uma vizinha veio dizer-lhe:

– O seu Carloto caiu da bicicleta, bateu com a cabeça no passeio e foi de ambulância para o hospital.

A mãe do Carloto atirou-se para dentro de um táxi com a vizinha e, numa ansiedade que lhe cortava a respiração, foi ao hospital saber do seu mais-que-tudo na vida.

O médico tranquilizou-a:

– O seu filho, felizmente, não chegou a sofrer traumatismo craniano. Quando ele andar de bicicleta, recomende-lhe que use capacete.

– E não está ferido, senhor doutor?

– Nada de grave. Só esfolou um joelho – respondeu o médico, com um sorriso simpático.

A mãe foi ver o Carloto, deitado numa cama e ainda um tanto abalado. Não se lembrava de nada, nem sequer de que tinha adivinhado o acidente. Ou parte: o joelho esfolado.

Aliás desde esse dia, fosse do que fosse, talvez da pancada, o Carloto já não conseguia prever nem sequer uma unha partida. Perdera os seus poderes especiais.

Uma coisas destas é que o Carloto nunca podia adivinhar.

In «Trinta por uma linha»

Responde tu!

3 – O que é que a mãe do Carloto queria?

4 – O que é que o médico aconselhou à mãe do Carloto?

 
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Publicado por em Março 12, 2013 em Atividades, Concursos, Histórias, Leituras

 

“Conto eu… respondes tu!” – 1º Dia

De aluna a professora

de António Torrado

A minha priminha Aldinha, desde que aprendeu a ler, não pára. Lê tudo: BOLACHAS MARIA, SUPER POP LIMÃO, FÓSFOROS QUINAS, TALCO, CUIDADO COM O CÃO, COMPOTA NATURAL, CORREIOS, TV-GUIA, SONY, ORATOL, VIARCO Nº2, CASCAIS, BOMBEIROS, CREME NÍVEA… Até lê, sem se atrapalhar nem tossir, MUCOSAOLVAN XAROPE. Fantástico!

Desde que aprendeu a ler, a minha priminha Aldinha tem uma pena infinita dos que não sabem ler. E, levada pelo impulso de a todos proporcionar a mesma descoberta encantada da palavra escrita, mal aprendeu a ler, logo quis ensinar.

Começou pelo gato Badameco. Pôs-lhe o livro à frente, mas o gato bocejou à primeira página, espreguiçou-se, desenrolou-se, enrolou-se e fechou os olhos. Um preguiçoso. Assim não vai avançar na vida. Ficará para sempre um gato analfabeto.

Tentou, depois, com o Pimpas, mas o cão, antes da aula, quis provar o livro e foi um sarilho para, depois, lho tirar da boca.

– Não é assim que se lê – zangou-se a Aldinha, a tentar pôr ordem nas folhas descoladas pela demasiada vontade de saber do Pimpas.

– Ignorantes. Um só queria dormir. O outro só queria brincar. Ora a vida não é só descanso e brincadeira. Há que aprender. Há que aprender pelos livros. Há que trabalhar – dizia a minha prima Aldinha.

A Aldinha, então, lembrou-se de que lhe tinham dado boas informações de um bichito por todos considerado como muito trabalhador, muito diligente.

Qual? A formiga.

E de uma persistência! Ela própria vira uma formiga carregar um niquito de bolo e não o largar, puxa daqui, empurra de acolá, até se escapulir, com ele às costas, por uma fenda do soalho.

Tão laboriosas já eram, que, se soubessem ler, do que elas não seriam capazes! Por isso a minha priminha Aldinha decidiu instruir, por junto, todo um formigueiro.

Abriu o livro das primeiras leituras, ao deitado, junto a um carreirinho. Depois, chamou a atenção das formigas com uns grãozinhos de açúcar.

Claro que elas vieram ao petisco. Enquanto se deliciavam, à volta do açúcar e das letras, a minha prima apontava: A tua tia Tila é tola e A tua tia Tila entalou a tola e A tua tia Tila tem atola com tala e tela.

Realmente, o desenho mostrava uma senhora de olhos esbugalhados, sentada numa cama, com a cabeça enrolada, em estilo de turbante hospitalar.

Não faço a ideia o que pensaram desta desastrada tia as formigas do carreiro. Pouco bem, acho eu. Entretanto, a minha prima, por sua vez, achou que devia mudar de lição. Deixou umas tantas formigas atrasadas, ainda às voltas da tia Tila e passou para A pala da Paula é de napa, outra interessantíssima história, que dava gosto ler.

E por aí fora. Os progressos das formigas eram evidentes, sobretudo quando atraídas com açúcar para os deveres escolares.

– Mas elas sabem mesmo ler? – intriguei-me eu.

– Claro que sabem – respondeu-me a priminha. – Ainda ontem as vi, agarradas a uns bocados de jornal, que alguém deixou no meio da mata, no Domingo passado.

– Gostam de notícias frescas – comentei. – E escrever, escrevem?

– Claro que escrevem, mas com uma letra muito pequenina.

Pareceu-me natural. Tudo tem a sua proporção. Só a minha priminha Aldinha escapa a esta lei. Tão pequenina e já tão diligente, tão responsável, tão paciente. Qualidades que fazem uma autêntica professora.

É o que ela vai ser, quando for crescida. Professora de crianças, está visto, porque as suas alunas formigas, essas, nessa altura já devem andar na Universidade.

Vamos até combinar uma coisa.

Quando também vocês lá chegarem, ponham os olhos no chão e procurem-nas. É que vão encontra-las, pela certa, a caminho da cantina universitária. Uma atrás da outra, incansáveis. São as disciplinadas formigas da minha priminha Aldinha. Quem começa bem, vai longe.

In «Trinta por uma linha»

Para participar no concurso, basta ler a história e responder às duas perguntas que se seguem.

Podes enviar as respostas para o email da Biblioteca (biblioteca.avec@gmail.com) ou pedir a folha de respostas na receção. Não te esqueças de identificar as tuas respostas (nome, número, ano e turma).

Aguardamos ansiosos a tua participação!

Responde tu!

1 – Porque é que a prima Aldinha achava que o Badameco e o Pimpas eram ignorantes?

2 – Quais são as qualidades que, na opinião do autor, fazem uma autêntica professora?

 
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Publicado por em Março 11, 2013 em Atividades, Concursos, Histórias, Leituras

 

“Conto eu… respondes tu!” – As histórias…

Para o nosso concurso, escolhemos a divertida obra Trinta poruma linha do escritor António Torrado.

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António Torrado nasceu em Lisboa, em 1939 e é escritor desde muito novo.

Na sua já longa carreira publicou muitos livros, alguns dos quais estão disponíveis nas Bibliotecas Escolares do Agrupamento.

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Participa neste concurso e fica a conhecer melhor a obra deste escritor português.

 
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Publicado por em Março 11, 2013 em Atividades, Concursos, Escritores, Livros